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“Pet Sounds”, The Beach Boys (1966)

  • Foto do escritor: Lucas Bonetti
    Lucas Bonetti
  • há 3 horas
  • 3 min de leitura

Olá, gente! Hoje trago o álbum Pet Sounds (1966), do The Beach Boys, por indicação de Vito Noguti Silva:

 

Eu escolhi esse disco Pet Sounds dos Beach Boys pra fazer a resenha do Clube do Som por ser um dos meus discos preferidos e ter um estilo/técnica de gravação bem interessante. É um álbum que eu gosto sempre de escutar nos melhores e piores momentos da minha vida, justamente por sua intensidade musical e lírica - o disco te transporta através das vozes e arranjos não muito convencionais, para um universo muito particular do autor, que acaba também gerando um universo à parte, entre o universo do autor e do ouvinte.
Os Beach Boys até então, apesar de ter um som muito singular misturando o rock n' roll de Chuck Berry com os grupos vocais dos anos 50, melodias que lembram música clássica e influências jazzísticas principalmente nas linhas de baixo, era uma banda com letras muito comercias, falando sobre carros, garotas e surfe. Brian Wilson o compositor da banda já estava ficando de “saco cheio” disso e era pressionado pela própria banda a continuar falando sobre os mesmos temas. Então no final de 1965 ele convidou o letrista Tony Asher para começar a trabalhar no que viria se tornar o disco Pet Sounds. Todo o estilo de gravação e produção desse disco, vem originalmente de uma interpretação que Brian Wilson fez em relação ao estilo de gravação do produtor Phil Spector. Esse método de gravação consistia em sobrepor muitos instrumentos juntos, com o intuito de gerar uma grande e homogênea massa sonora entre os instrumentos. Invés de gravar guitarra e piano com a intenção de ouvir ambos os instrumentos separadamente dentro da mix, o objetivo era sobrepô-los com o intuito de ouvir os dois como uma coisa só - como um “guitarra-piano”. Brian atualizou esse conceito de um jeito muito singular, utilizando a orquestra de um jeito muito bizarro com o intuito de criar texturas inesperadas com instrumentos peculiares ou melhor, combinações peculiares de instrumentos. Ao longo do disco você pode ouvir sons de theremins, latas, latidos de cachorros, naipes de cordas, sanfonas, vibrafones, saxofones, flautas, tímpanos, solos de gaita baixo, etc. Tudo isso sobre o acompanhamento de normalmente uma ou duas guitarras e outros instrumentos de cordas, como banjos e bandolins, pianos, órgãos e muitas vezes dois baixistas. Um tocando um baixo elétrico e um acústico, muitas vezes tocando a mesma de linha de baixo, mas em algumas ocasiões tocando linhas completamente diferentes. A gravação de todos esses instrumentos era feita numa sala de gravação com todos os músicos tocando juntos e ao vivo, apenas os vocais eram gravados em overdubs. Todas as composições, arranjos e a produção musical foram feitas por Brian Wilson, algo raríssimo de acontecer no mundo da música pop naquele momento e até hoje.
O resultado disso, foi na minha opinião um dos discos mais únicos já feitos. Além do seu impacto puramente musical, discos como este, juntamente com discos dos Beatles e Bob Dylan lançados na mesma época, fizeram com que a concepção das pessoas e da indústria de que o álbum era um produto secundário feito para catapultar ainda mais os discos mudasse. O álbum passou a ser visto também como uma “obra de arte” e o lirismo ao longo do disco, que orbita em volta de um tema é muito parecido com o que viriam chamar de álbum conceito, ou com o que chamavam de ciclo de canções na época dos compositores de música clássica.


FICHA TÉCNICA

Produtor, arranjador e compositor: Brian Wilson

Vocais: Brian Wilson, Mike Love, Carl Wilson, Dennis Wilson, Bruce Johnston, Al Jardine

The Wrecking Crew ( grupo de músicos de estúdio)

Bateria: Hal Blaine, Jim Gordon e Ritchie Frost

Baixo: Carol Kaye (elétrico), Lyle Ritz (acústico)

Guitarras: Barney Kessel, Glen Campbell, Tommy Tedesco, Billy Strange, Al Casey, Jerry Cole

Pianos, Orgãos, Harpsichord: AI de Lory, Larry Knechtal, Don Randi

Metais e Sopros: Jim Hom, Bil Green, Jay Migliori, Jack Nimitz, Steve Douglas

Percussões: Jim Gordon, Julius Wechter, Ritchie Frost

Cordas: Leonard Malasky, Sid Sharp (violinos), Darrell Terwiiliger (viola), Jesse Erlich (cello)

Engenheiros de som: Chuck Britz, Larry Levine, Bruce Botnick


PAÍS

Estados Unidos


TIPO DE SOM

Pop barroco, Rock n Roll, Psicodélia, Folk


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