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"Ascenseur pour l'échafaud", Miles Davis (1958)

  • Foto do escritor: Renan Chaves
    Renan Chaves
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Oi pessoal! Aqui é o Renan, sou Professor do curso de Midialogia da Unicamp, da área de som e música para cinema. Durante esse semestre, farei, junto com Lucas e João, algumas sugestões regulares de escuta, especialmente aquelas que estabelecem algum tipo de conexão com o audiovisual, ou aquilo que genericamente podemos chamar de trilha musical ou trilha sonora.


Minha primeira sugestão é Ascenseur pour l'échafaud, de Miles Davis, de 1958. As músicas do álbum foram originalmente gravadas para o filme homônimo, de Louis Malle. No final da década de 1950, o Jazz estava prestes a entrar em sua fase mais introspectiva e modal. O cinema, por sua vez, estava prestes a ser sacudido pela Nouvelle Vague. O álbum Ascenseur pour l'échafaud é o documento que registra a colisão dessas duas forças transformadoras.

Louis Malle, um diretor estreante de apenas 25 anos, buscava uma sonoridade que fugisse dos clichês de Hollywood. As trilhas musicais da época eram lá dominadas por orquestrações wagnerianas densas ou por temas de jazz arranjados para big band. Malle queria algo que soasse como a “voz interior” de seus personagens alienados. Ele encontrou essa voz no trompete de Miles Davis, que estava em Paris para uma temporada no Club Saint-Germain.

A gravação deste álbum é um relevante exemplo de improvisação controlada. Na noite de 4 de dezembro de 1957, Miles reuniu seus músicos — o quarteto formado por René Urtreger (piano), Pierre Michelot (contrabaixo), Kenny Clarke (bateria) e o Barney Wilen (saxofone) — no estúdio Le Poste Parisien. Não havia partituras complexas. Miles forneceu apenas temas e sequências harmônicas “simples”. O método era projetar as cenas do filme em loop na parede do estúdio e tocar “sobre” elas. Musicalmente, este é um dos importantes laboratórios práticos no qual Miles Davis testou ideias que, dois anos depois, culminariam na sua famosa obra “Kind of Blue” (1959). Ao libertar os músicos das progressões de acordes rápidas do Bebop, Miles permitiu que eles se concentrassem na textura e no modo.



FICHA TÉCNICA

Compositor e trompetista: Miles Davis

Saxofone tenor: Barney Wilen

Piano: René Urtreger

Contrabaixo: Pierre Michelot

Bateria: Kenny Clarke

Local de Gravação: Estúdio Le Poste Parisien, Paris.

Engenheiro de som: Jean-Claude Quénet

Data da Sessão: Dezembro de 1957.

Lançamento: 1958 (Fontana Records).


PAÍS

França / Estados Unidos


TIPO DE SOM

Cool Jazz


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