“Ponta da Língua”, Sofia Freire (2024)
- Lucas Bonetti

- há 6 horas
- 2 min de leitura
Olá! A indicação da semana é de Paloma Cristina, que trouxe o álbum Ponta da Língua (2024), de Sofia Freire. Segue o texto da Paloma:
“É que o arrebento me assombra e me fascina, tudo que me aglutina quero logo estourar”. Apenas esse trecho da faixa "Arrebento", do álbum Ponta da Língua (2024), da artista pernambucana Sofia Freire, já nos dá um vislumbre da riqueza das letras da artista, mas nada disso te prepara para o instrumental construído para acompanhá-las. O terceiro álbum de Freire, composto, interpretado e produzido por ela mesma, traz um indie autenticamente brasileiro, recheado de synth pop, no qual sua voz se constrói como uma diversidade de timbres a partir dos efeitos vocais. A voz é apenas um dos elementos em um arranjo de beats e instrumentos feito exatamente na medida de expandir as possibilidades criativas sonoras, sem fatigar o ouvinte com excesso de informação. Nesse quesito, a mixagem é um ponto alto, e destaco o equilíbrio que a massa sonora tão rica de Sofia Freire recebe. Conseguimos ouvir tudo no momento certo, com cada som se sobressaindo quando deve.
Na primeira escuta, nos surpreendemos com a sonoridade; na segunda, nos identificamos com letras que contemplam o ouvinte, gerando conexão com o trabalho como um todo ou, especificamente, com uma faixa de maneira mais acentuada. Destaco o trecho da música “Ponta da Língua”, que nomeia o álbum, como a minha favorita: “Frases de efeito, não me afetam / Afetos sem defeitos, não me definem / Se não é inteiro, não me interessa / Se não me eleva, não é relevante”. A partir da terceira escuta, a questão passa a ser: como Sofia Freire conseguiu construir esse universo sonoro? São tantos elementos que seria fácil se perder na construção dos arranjos instrumentais e vocais. Como foi o processo de escolha dos timbres? Em um disco tradicional, sabemos quais instrumentos estarão presentes em cada faixa. Aqui, não conseguimos imaginar qual timbre será o próximo escolhido por Sofia. E, de alguma forma, tudo isso se fecha perfeitamente em um álbum no qual há uma transição natural entre uma faixa e outra — sem desconforto, mas com curiosidade pelo que vem. Ponta da Língua unifica pela diversidade e constrói conexão entre faixas por meio da surpresa sonora. Ainda assim, não consigo imaginar a metodologia de sua criação, apenas que deve ter sido um caminho de muitas escolhas — ótimas escolhas de Sofia.
FICHA TÉCNICA
Gravado e produzido por Sofia Freire no estúdio Eu mesma produções em Recife
Arranjos: Sofia Freire
Mixagem: Homero Basilio
Masterização: Buguinha Dub
PAÍS
Brasil
TIPO DE SOM
Indie-pop / synth-pop
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